Tablets versus Livros – Quem ganha?

 

Achei que não seria preciso uma discussão sobre o que eu achava que não aconteceria: tablets substituírem os livros. Mas lendo a matéria da Veja São Paulo dessa semana (edição 24), vejo que infelizmente os livros já estão sendo tratados como “da idade da pedra”. Sendo que até dois anos atrás, tudo se aprendia através de livros, mesmo com os ebooks já lançados. Mas titio Steve Jobs resolveu lançar o iPad e… os livros viraram peças de museus!

Na matéria citada, tem um quadro em que o título é “Enquanto isso nas escola públicas… a lentidão da burocracia faz com que os alunos estejam distantes de sair da Idade do Giz“.

Opa! Perae senhor jornalista da Veja! Como assim IDADE DO GIZ? Até ano passado eu fazia faculdade e todas as aulas eram passadas através de ppt (power point) e GIZ NA LOUSA! Qual o problema? Era do Giz? Como se todos os mortais tivessem acesso a tablets e redes sem fio pelo Brasil a fora, né?

A matéria super inteligente (ironic) da Veja dá a entender que livros, gizes e tudo aquilo que eu e vocês usamos até (… esse ano?) são coisas ultrapassadas! A moda agora é tablet e que você venda seu fígado (e pulmões, rins, coração e cérebro) para ter um, ou você estará “na idade da pedra”.

Sinto lhe informar Srª. Veja, mas a maioria dos brasileiros ainda pagam celulares de 199 reais em 10x sem juros nas Casas Bahia só para ter um meio de se comunicar. Essa tal de “revolução digital” que a Senhora tanto admira é só para o público ao qual você fala: os ricos! Mas nem pra classe média a vossa Senhoria serve! Para uma revista que coloca um anúncio de uma almofada por 115 reais, deveria vir com um aviso “Revista destinada apenas para famílias que ganham 27 mil reais por mês”.

Infelizmente (ou felizmente, depende do ponto de vista), muitos (mas muitos mesmo) brasileiros mal dão conta de pagar o celular de 199 reais (em 10x sem juros nas Casas Bahia), que dirá comprar tablets para seus filhos. O Governo e a escola oferecem os equipamentos? ÓTIMO. Mas vocês não acham que os pequenos filhotes vão se contentar de usar tablets só na hora da escola e, pior, para estudar, né? Eles vão chegar sedentos para ter um tablet para carregar pra cima e pra baixo, brincar nos aplicativos, navegar na internet… estudar? Ah vá! Papai Noel é amigo íntimo do Coelhinho da Páscoa!

É ótimo ter um ebook, um tablet ou um notebook para estudar. Mas não nas mãos de estudantes do ensino fundamental e médio. Para estudantes do ensino superior, ótimo! Mas para a galerinha que ainda tá aprendendo que você não é com cê cedilha? Gasto totalmente desnecessário que poderia ser destinado à educação (não para comprar tablets e derivados, mas para ter ensino de qualidade – leia-se: professores, segurança e alunos), saúde e até para os animais que são abandonados e/ou maltratados todos os dias (tá, os humanos também, mas não são tão prioridade assim, uma vez que você dá um apartamento no CDHU e o cara vai, vende e volta a morar nas ruas. Mas enfim…). Mas nada com um bom e velho livro para aprender a ler e a escrever e fingir que aprendeu matemática, biologia, química e física.

Todos nós fomos educados a base de papel, caneta e livro. Por que com essa geração “iPod, iPad, iPobre” tem que ser diferente? Qual a diferença? Eu sei a diferença… a “nova geração” não tá sabendo escrever coisas simples como “você” e “mim” (e ainda tem os livros do MEC para ferrar tudo de uma vez). E quanto mais vocês enfiam tecnologia na cara das crianças e adolescentes, mais elas vão ficando sedentárias, param de sair de casa e viver a “vida real”. Vocês querem isso para o futuro de seus filhos? Eu não! Eu quero que meus filhos brinquem nas ruas (apesar da violência de hoje em dia), se sujem e se ralem jogando futebol e também brinquem com as tecnologias. Mas de um modo consciente e não como única forma de diversão.

Não há nada melhor do que pegar um livro e sentir suas folhas. Mesmo que você não goste de ler, mas não é melhor pegar a Playboy em papel do que ficar rolando a barra do navegador para olhar as fotos? Passem esses valores para as crianças (dos livros, não da Playboy!!!) e ensinam o hábito saúdavel da leitura. Usem tablets E livros para incentivar essas leituras. Vocês terão um filho mais esperto, que saiba ler e escrever corretamento (nada de formalidades, mas também nada de “voçê ja mim vio faze gol nu futibol cum duas mão?” (matando o português e comendo a pontuação).

As crianças de hoje em dia se tornaram mini-adultos com meninas se maquiando e usando salto (oi?) e nascendo já com um celular na mão (em breve, um tablet). Ao invés de enfiar os tablets por goela a baixo dessas crianças, que tal dar um livro (de papel, por favor) para elas lerem, pintarem, rasbicarem, desenharem? Bem melhor, não…

 

Pensem nisso…

 

 

ps.: fui educada a base de livros e tapas. Não proibiram meus pais de me darem umas palmadas na bunda quando eu fazia coisa errada e nem jogaram “tecnologia” nas minhas mãos para eu aprender que c não tem cedilha para escrever você. E to aqui… vivendo, sem trauma nenhum da minha infância “chuchulenta” sem internet e tv a cabo. Agora você dá “tecnologia” e proibe os tapas, o que acontece? Violência nas escolas, filhos que batem (e até matam) os pais… pois é… culpa do Merthiolate que parou de arder.

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